lunes, 30 de septiembre de 2013

Guarida de los poetas. Pessoa musical…




Un sencillo tributo a la voz poética de Don Fernando Pessoa. Precedido por algunos de sus aforismos, los cuales recogemos de Aforismos de Fernando Pessoa, Colección A LA MINIMA. Editorial Renacimiento, Sevilla, 2012. Las frases de Pessoa son tan luminosas que, incluso cuando son extractadas de un poema o una prosa, refulgen como el más encantador de los adagios...
lacl


AFORISMOS Fernando Pessoa.

- No hay verdad en esta vida que no se diga mintiendo.

- El cero es la mayor metáfora. El infinito la mayor analogía. La existencia el mayor símbolo.

- La mejor manera de viajar es sentir. Sentirlo todo de todas las maneras.

- Toda revolución es una enfermedad.

- Sé solo rey de ti mismo.

- Detrás de lo que siento está la vida.

- Día que no gozaste no fue tuyo.

- Ser poeta no es una ambición mía. Es mi manera de estar solo.

- Qué difícil no ver sino lo visible.

- Comienzo a conocerme. No existo.

Aforismos de Fernando Pessoa, Colección A LA MINIMA. Editorial Renacimiento, Sevilla, 2012.



Como dijera Don Fernando, por mano de Álvaro de Campos:

¡En cuántas cosas prestadas voy yendo por el mundo!
¡Cuántas cosas que me prestaron conduzco como mías!
¡Cuánto de lo prestado, ay de mí, yo mismo soy!
.
Fernando Pessoa, Antología de Álvaro de Campos, Editora Nacional, Madrid, 1978.
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Mensagem NOITE



Glória de Lourdes - NOITE - André Luiz Oliveira-Fernando Pessoa - gravação de 1986
 
http://www.youtube.com/watch?v=fY5qcbWHw1Q


NOITE

A Nau de um deles tinha se perdido
No mar indefinido.
O segundo pediu licença ao Rei
De, na fé e na lei
Da descoberta, ir em procura
Do irmão no mar sem fim e a nevoa escura.

Tempo foi.
Nem primeiro nem segundo
Volveu do fim profundo
Do mar ignoto à pátria por quem dera
O enigma que fizera.
Então terceiro a El-Rei rogou
Licença de os buscar , e El-Rei negou.

Como a um cativo, o ouvem a passar
Os servos do solar.
E, quando o vêem, vêem a figura
Da febre e da amargura,
Com fixos olhos rasos de ânsia
Fitando a proibida azul distancia.

Senhor, os dois irmãos do nosso Nome
O Poder e o Renome --
Ambos se foram pelo mar da edade
À tua eternidade:
E com eles de nós se foi
O que faz a alma poder ser de heroe,
Queremos ir busca-los, d'esta vil
Nossa prisão servil:
É a busca de quem somos na distancia
De nós; e, em febre de ânsia,
A Deus as mãos alçamos.

Mas Deus não dá licença que partamos.




Mensagem Os Avisos Terceiro

Ney Matogrosso

http://www.youtube.com/watch?v=fdEmRl2-uKc




Terceiro

    Screvo meu livro à beira-magua.
    Meu coração não tem que ter.
    Tenho meus olhos quntes de agua.
    Só tu, Senhor, me dás viver.
    Só te sentir e te pensar
    Meus dias vacuos enche e doura.
    Mas quando quererás voltar?
    Quando é o Rei? Quando é a Hora?
    Quando virás a ser o Christo
    De a quem morreu o falso Deus,
    E a dispertas do mal que existo
    A Nova Terra e os Novos Céus?
    Quando virás, ó Encoberto,
    Sonho das eras portuguez,
    Tornar-me mais que o sopro incerto
    De um grande anceio que Deus fez?
    Ah, quando quererás, voltando,
    Fazer minha esperança amor?
    Da nevoa e da saudade quando?
    Quando, meu Sonho e meu Senhor?


http://www.youtube.com/watch?v=F-9pe17cgAc


O INFANTE

     Deus quere, o homem sonha, a obra nasce.
     Deus quiz que a terra fosse toda uma,
     Que o mar unisse, já não separasse.
     Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
     E a orla branca foi de ilha em continente,
     Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
     E viu-se a terra inteira, de repente,
     Surgir, redonda, do azul profundo.
     Quem te sagrou creou-te portuguez.
     Do mar e nós em ti nos deu signal.
     Cumpriu-se o Mar, e o Imperio se desfez.
     Senhor, falta cumprir-se Portugal!

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Fernando Pessoa

        NEVOEIRO

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a hora!


                                 Valete, Fratres.





        PADRÃO

O esforço é grande e o homem é pequeno.
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei
Este padrão ao pé do areal moreno
E para diante naveguei.
A alma é divina e a obra é imperfeita.
Este padrão sinala ao vento e aos céus
Que, da obra ousada, é minha a parte feita:
O por-fazer é só com Deus.
E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas Quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é português.
E a Cruz ao alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar.

13-9-1918